BE quer ouvir secretária-geral do Sistema de Segurança Interna sobre "desarticulação" no caso das ameaças a Montenegro 

BE quer ouvir secretária-geral do Sistema de Segurança Interna sobre "desarticulação" no caso das ameaças a Montenegro 

O Bloco de Esquerda requereu a audição urgente, à porta fechada, da secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), na Assembleia da República, na sequência das notícias sobre um alegado plano de ataques a centenas de titulares de cargos políticos e organizações.

João Alexandre - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Foto: Pedro A. Pina - RTP

De acordo com o semanário Expresso, o Ministério Público e a Polícia Judiciária não terão informado os serviços de informações de que tinha sido descoberto um alegado plano de ataque à residência do primeiro-ministro, Luís Montenegro, preparado por elementos do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL), num plano que, de acordo com o noticiado, visava centenas de titulares de cargos políticos e perto de meia centena de organizações.

Fabian Figueiredo, deputado único do BE, considera que o que veio a público é "manifestamente preocupante" e defende que são precisos esclarecimentos sobre a forma como circulou a informação entre as várias entidades responsáveis pela segurança interna.

"O primeiro-ministro é alvo de ameaças, a sua residência é alvo de ameaças, um conjunto alargado de cidadãos é alvo de ameaças e não há qualquer tipo de notificação. É por demais evidente que o sistema de segurança interna falhou", afirmou o deputado, que aponta à audição da secretária-geral do SSI, Patrícia Barão: "Para ter a certeza de que o que aconteceu não volta a acontecer e perceber o que falhou na articulação entre a investigação, as secretas e a devida comunicação aos visados".
Em declarações à RTP Antena 1, o deputado do BE criticou ainda a forma como o caso tem sido conduzido pelas várias entidades.

"Não podemos continuar a ter o Ministério Público, a Polícia Judiciária e as secretas a mandarem recados através dos jornais uns aos outros. Isto não é o Estado a funcionar de forma regular", defendeu.

Questionado sobre as declarações do primeiro-ministro, que disse não ter sido informado das ameaças, o deputado afirmou que a situação é "preocupante".

"Não é normal o senhor primeiro-ministro, o ex-presidente da República, membros de órgãos de soberania e dezenas de cidadãos portugueses poderem ser alvos de ataques terroristas e haver uma desarticulação do Sistema de Segurança Interna. É isso que é preocupante", disse.

O deputado assinala ainda que o próprio ministro da Administração Interna já admitiu uma falha de comunicação no processo.

"Quando há reuniões do Sistema de Segurança Interna em que todas as instituições estão para partilhar informação, coordenar a investigação e fazer avaliação de risco, e não dialogam, é porque a lei não está a ser cumprida. Isto não pode ficar tudo igual", sustentou o deputado bloquista, que, apesar das críticas, salienta que a investigação permitiu detenções: "Felizmente houve uma investigação eficaz. Há um processo judicial de correr, foi deduzida a acusação, mas é muito estranho que os implicados tenham tido nota disto através da comunicação social. Não é aceitável".

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